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terça-feira, 26 de maio de 2020

Fado Covid

Estava a caminhar
Pelas ruas de Lisboa
Bebendo meu bom vinho 
e chorava à toa

Mandaram-me pra casa
Estás de quarentena
Chegou corona vírus
Matando meu poema

Covid
Covid-19

Estava a ver o mar
Admirando uma gaivota
Tomando meu bom vinho
Rindo feito uma idiota

Mandaram-me pra casa
Estás de quarentena
Chegou corona vírus
Matando meu poema

Covid
Covid-19

Estava pela rua
Correndo da polícia
Bebendo meu bom vinho
Que estava uma delícia

Mandaram-me pra casa
Estás de quarentena
Chegou corona vírus
E nada vale a pena

Covid
Covid-19



Cora Rufino (Abril/Maio 2020)



quinta-feira, 5 de julho de 2018

Plexo


Eu toquei em seu Plexo Solar
Sem saber onde ele fica
Mas essa coisa de Plexo Solar
Não me deu nenhuma dica...

Quantas milhas vou ter que percorrer
Para encontrar o seu interior
Esse tesouro é complexo de achar
Não sei dizer se é amor

Mas eu toquei o seu plexo solar
Sem saber onde ele fica
E essa coisa de plexo solar
Não sei o que significa



Cora Rufino

sábado, 26 de maio de 2012

Rainha do drama (a mulher abandonada)


Simplesmente quando acordei
Você não estava lá
Procurei na minha cozinha,
Varanda, sala de estar...

Levou embora suas coisas
Esvaziou o guarda-roupa
Havia levado os CDs,
Pacotes de Miojo e sopa

Então comecei a beber
Daí, comecei a fumar
Por causa de você que
Abandonou este lar

Veio, me fez de tudo
Partiu sem dizer nada
Eis aqui na sua frente
“A” mulher abandonada


Cora Rufino


***

Para Lorena Gomes, a revelação do violão.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Peixe Capilar

Esses cabelos são como um rio
Onde eu rio depois de mergulhar
Pois percebo o escafandro vazio
Virei um peixe capilar.


Já percorri várias águas doces
Me adentrei em raízes e brechas
Juro por Deus, nada é mais perigoso
Que um simples mergulho aqui nessas mechas


Me deixe imergir
Nos seus cachos profundos
É aqui onde quero morar


As ondas castanhas
da sua cabeça
São o meu verdadeiro habitat


Esses cabelos são como um rio
Virei um peixe Ca-pi-laar



Cora Rufino e Joana Emilly

***

Musiquinha que eu e minha prima estávamos fazendo uma vez, de madrugada, gravando no celular.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

TRAVA-LÍNGUA


Uma aranha arranhava o jarro
Que também arranhava a aranha
Eu era um dos três tigres tristes
Excitados com aquela façanha

Eu adoro um trava-língua
Duas línguas se travando
Num ninho de mafagafos
Se amafagafizando...

Cora Rufino (Agosto 2006)
Prestes a virar musiquinha...

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Gracias a Mercedes

Que indelicadeza a minha...
Enquanto eu postava, Mercedes Sosa morria.

Primeiro no vinil de mamãe com o clássico "volver a los 17".
Depois na aula de espanhol do ensino médio com "duerme negrito", que usei como trilha sonora do meu curta esse ano.

Mas foi com "gracias a la vida" que Mercedes me pegou de jeito.
Não lembro de ter ficado comovida assim com a morte de nenhum outro cantor.
A única homenagem póstuma que me ocorre fazer agora, é traduzir a letra da música que ela cantava.


Graças à Vida


Graças à vida que me deu tanto

Me deu dois olhos que quando os abro

Distingo perfeitamente o preto do branco

E no alto céu, o seu fundo estrelado

E nas multidões, o homem que eu amo


Graças à vida que me deu tanto

Me deu o ouvido que em toda a sua largura

Grava noite e dia grilos e canários

Martelos, turbinas, latidos, aguaceiros

E a voz tão terna de meu bem amado


Graças à vida que me deu tanto

Me deu o som e o abecedário

Com ele, as palavras que penso e declaro

Mãe, amigo, irmão

E luz iluminando a rota da alma do que estou amando


Graças à vida que me deu tanto

Me deu a marcha de meus pés cansados

Com eles andei cidades e pântanos

Praias e desertos, montanhas e planícies

E a casa tua, tua rua e teu pátio


Graças à vida que me deu tanto

Me deu o coração que agita seu marco

Quando vejo o fruto do cérebro humano

Quando vejo o bom tão longe do mau

Quando vejo o fundo de seus olhos claros


Graças à vida que me deu tanto

Me deu o riso e me deu o pranto

Assim eu distingo alegria de tristeza

Os dois materiais que formam meu canto

E o canto de vocês que é o mesmo canto

E o canto de todos que é meu próprio canto

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Falsos Surfistas


Muito... difícil fazer uma letra
Até pra uma canção clichê
Que rima tudo com “apê”
Que rima paixão e »

» coração
Canção de fundo de ônibus
De apresentação de slides
De carro de tele mensagem
Ou de campanha eleitoral!

Canção de falsos surfistas na praia
Cantando para a lua cheia
Rimando areia e sereia
E tudo vira um sucesso!


Cora Rufino
Só sei que virou música
E me fizeram recitá-la essa semana