Começaram as aulas de Edificações. Como é o primeiro módulo, ninguém se conhece ainda.
No terceiro dia de aula, adentrou a sala uma coordenadora com uma mulher que gesticulava bastante.
Até entendermos que os gestos eram LIBRAS demorou um pouco, porque ainda não tínhamos nos dado conta de que havia um deficiente auditivo entre a gente.
O surdo dispensou a intérprete. Disse que não seria necessário, pois ele sabia ler lábios. A mulher gesticuladora nunca mais apareceu.
Só que é seguinte, temos quatro professores:
O primeiro não fala muito bem. Tem problemas de dicção assumidos que dificultam a compreensão até de quem tem a audição perfeita.
O segundo fala sorrindo sem mexer os lábios. Mas pelo menos fala alto (fator que é inútil para o nosso colega deficiente).
O terceiro só apresenta a aula no DataShow e, para isso, apaga todas as luzes deixando a sala completamente escura, possibilitando apenas ver o slide e ouvir o som de sua voz (como ninguém consegue escrever, de tão escuro que fica, que dirá ler lábios).
Na última aula, de Desenho Técnico, sentei do lado do deficiente auditivo.Como a professora não tem problemas de dicção e dá as aulas com as luzes acesas, imaginei que seria bom para o meu colega ao lado.
Porém, lá na metade da aula, quando tava todo mundo concentrado nos seus desenhos, o colega me cutuca e pergunta:
- O que é pra fazer?
Nessa hora eu me dou conta de que a gente passa a aula inteira de cabeça baixa, olhando para o papel e seguindo as instruções faladas da professora. Ou seja, ou você lê os lábios dela ou você olha para o papel .
Aí acabou o semestre. E eu filosofei tanto sobre meus gostos…
Nunca foi tão chato desenhar!
Minha nossa! Só de pensar em acordar às quintas, pegar a pasta de papéis A3, os lápis, a borracha e ir para a faculdade desenhar à mão livre já me dava uma preguiça.
Diziam que eu e o Sergino éramos os melhores da sala e tal. E dos que estavam lá, nós dois fazíamos nossos trabalhos sem muita reclamação ou preocupação com os erros.
Mas o excesso de confiança tem dessas coisas: na última semana do semestre lá estávamos nós. Eu e Sergino de recuperação justo na matéria de desenho livre.
Como?
É a velha história do “Ninguém vai me dizer o que fazer! Eu desenho como eu quiser!”
Mas grazadeus deu tudo certo no final.
E as maquetes?
Nunca. Mas nunca mesmo gostei de trabalhos manuais ou qualquer tipo de artesanato.
Nem quando fazer pulseira de miçangas era moda entre as garotas da minha idade.
Nunca quis aprender bordado ou crochê porque não tinha saco para as minúcias dos detalhes. Isso tudo precisava de concentração, organização e paciência, coisas que nunca tive.
Mas em relação às maquetes, consegui tirar boas notas nos trabalhos em grupo. E com a consciência tranqüila eu afirmo que fiz o melhor que pude junto aos meus colegas. Mas na maldita maquete individual...Que negação. Passei a madrugada fazendo aquele cômodo em miniatura. A professora reclamou que a minha maquete não tinha Highlight! Mas eu tinha tido um Insight e pensei em começar um Fight que durasse até a Night. Que critério de avaliação mais estúpido: highlight. Aprendi até a fazer a tal da decoupage para ser o papel de parede da suíte do casal. Ficou um lixo, óbvio...
Depois de receber a minha nota e saber que tinha passado, saí da sala com o quartinho de casal na escala 1:20 nos braços, como se fosse uma criança de colo, e a joguei no lixo do corredor. Não amava aquele filho deficiente (que crueldade a minha). Mas enjeitei mesmo a criança. Que se dane ela. Eu passei.
Esse foi o semestre em que tirei 10 na prova de Geometria Descritiva! O primeiro 10 que tiro na minha vida inteira, em uma matéria das exatas.
Dez em Geometria e prova final em desenho?
Nem eu me reconheço mais.
Em casa, vendo aquela ruma de papéis, colas, tesouras e réguas por todo o chão da casa, imaginei que parecia, forçando a imaginação, a bagunça de um pós-festa, onde depois da farra vem o sofrimento de arrumar a casa com ressaca. Limpar a sujeira alheia, jogar fora os cacos do vaso que aquele amigo sem noção quebrou e as baganas que seus amigos fumantes deixaram em sua casa sem cinzeiro.
Mas não. Não era a típica bagunça que sucede a festa. Era a arrumação de mais um período letivo findado, com aprovações em todas as matérias o que, afinal, era o sofrimento que precedia a bagunça e, arrumá-la era a própria festa.
Cheguei à faculdade e vi aquela roda de gente discutindo com afinco sobre algum assunto. Um deles gritou:
- Mas foi muita sacanagem o que fizeram com ela!
Eu, curiosa, já entrei na muvuca perguntando:
- Quem foi sacaneado?
Responderam:
- A Babi!
- Quem é Babi? - Eu perguntei, achando que era alguém da Universidade.
- Você não assiste a Fazenda?
Então eu lembrei. A Fazenda é um reality show da Record, onde a produção pegou uma penca de “artistas” egocêntricos e exibicionistas, tiraram do ostracismo e jogaram em uma fazenda cenográfica, creio, para que eles tenham sua chance de aparecer na mídia de novo chutando o pau da barraca.
Mas como eu não assisto, não consegui acompanhar o rumo da prosa. Percebendo que todos tinham alguma participação na conversa menos eu, fui me retirando de fininho, triste, solitária e constatando:
- Meu Deus, como sou alienada!
No começo do Jogo Brasil x África do Sul o capitão Lúcio leu um discurso anti-racismo. Em seguida o capitão sul africano fez o mesmo discurso na língua inglesa. Antes de o jogo começar, ainda mostraram na TV vários cartazes com a frase “Say NO to racism”. Deixaram bem claro que esse era o lema da Copa das Confederações 2009.
Mesmo assim a gente, telespectador, presencia diálogos como:
- Minha nossa! Esse gramado está em péssimas condições!
- Ah, mas você tem que entender que eles são pobres, não têm condições de ajeitar o gramado!
Meus amigos Léo e Carol vão se casar em Dezembro na Igreja Matriz. Acho que é o primeira vez que vou presenciar um casamento entre meus amigos.
Enfim. Aí depois de ver o filme Encantada, o Léo quer por que quer uma roupa igual à do príncipe! E a Carol pra não ficar pra trás, disse que assistiu Para sempre Cinderella várias vezes e agora quer o vestido igual ao da Drew Berrymore. Decidiram então por um casamento medieval-meio-renascentista... Por isso agora os convidados também terão de ir caracterizados!
O VESTIDO CHINÊS
Nos idos anos 90, meu pai achou de dar para minha mãe um vestido chinês (que lembra muito os vestidos dos personagens de Para sempre Cinderella) e por ser extravagante demais para o Ocidente, nunca foi usado. Exceto por mim, criança, na frente do espelho!
Sonhava em fazer meus 15 anos num estilo medieval SOMENTE para usar aquele vestido. Mas minha festa não foi medieval. Então pensei que quando eu fosse me graduar em Artes Plásticas na UnB eu usaria aquele vestido. Nunca me graduei em coisa alguma. Então pensei que no dia do meu casamento eu usaria aquele vestido. Hoje meus conceitos mudaram e não penso em casamento.
Aí Léo e Carol me surgem com essa história de casamento medieval! Vocês não tão entendendo! Eu vou usar o vestido FINALMENTE!!!!!!!!!!!
FADA MADRINHA
Embora o casamento seja só em Dezembro, várias surpresas e empolgações surgem agora. Uma delas: Serei Madrinha do noivo!!
Quarta.
Noite do Sushi.
“Qual é a ocasião?” perguntaram. Nenhuma. Apenas comer sushi.
Quarta.
Noite da abertura de coração.
E eu tenho a bizarrice de chorar sempre que a conversa é séria. Não precisa ser triste, não precisa ser tensa, nada disso. Eu começo a conversar, se percebo que não existe a possibilidadade de fazer uma piada, eu choro Seria uma obsessão pelo humor ou aversão à seriedade?
Caramba, se eu pudesse comeria sushi todas as noites!
Mentira, de vez em quando comeria pizza, para não enjoar.
E pizza de muçarela (assim com cedilha) e tomate! Bastante tomate!
Lembro da primeira vez que comi sushi. Foi em Brasília, no Nippon, com a Mercês!
Lembra, Mercês?
Ultimamente tenho pensado bastante em Brasília...
E nos sushis também.