Enquanto eu postava, Mercedes Sosa morria.
Primeiro no vinil de mamãe com o clássico "volver a los 17".
Depois na aula de espanhol do ensino médio com "duerme negrito", que usei como trilha sonora do meu curta esse ano.
Mas foi com "gracias a la vida" que Mercedes me pegou de jeito.
Não lembro de ter ficado comovida assim com a morte de nenhum outro cantor.
A única homenagem póstuma que me ocorre fazer agora, é traduzir a letra da música que ela cantava.
Graças à Vida | |
| Graças à vida que me deu tanto | |
| Me deu dois olhos que quando os abro | |
| Distingo perfeitamente o preto do branco | |
| E no alto céu, o seu fundo estrelado | |
| E nas multidões, o homem que eu amo | |
| Graças à vida que me deu tanto | |
| Me deu o ouvido que em toda a sua largura | |
| Grava noite e dia grilos e canários | |
| Martelos, turbinas, latidos, aguaceiros | |
| E a voz tão terna de meu bem amado | |
| Graças à vida que me deu tanto | |
| Me deu o som e o abecedário | |
| Com ele, as palavras que penso e declaro | |
| Mãe, amigo, irmão | |
| E luz iluminando a rota da alma do que estou amando | |
| Graças à vida que me deu tanto | |
| Me deu a marcha de meus pés cansados | |
| Com eles andei cidades e pântanos | |
| Praias e desertos, montanhas e planícies | |
| E a casa tua, tua rua e teu pátio | |
| Graças à vida que me deu tanto | |
| Me deu o coração que agita seu marco | |
| Quando vejo o fruto do cérebro humano | |
| Quando vejo o bom tão longe do mau | |
| Quando vejo o fundo de seus olhos claros | |
| Graças à vida que me deu tanto | |
| Me deu o riso e me deu o pranto | |
| Assim eu distingo alegria de tristeza | |
| Os dois materiais que formam meu canto | |
| E o canto de vocês que é o mesmo canto | |
| E o canto de todos que é meu próprio canto |





