Estou aqui matando aula. Uma aula paga, inclusive. Cara, além de tudo.
Porque eu simplesmente precisava parar para pensar.
Comecei a decorar um texto. Sim, eu sei que "decorar" é uma palavra antiprodutiva quando falamos de teatro e o trabalho de ator. Mas nessa loucura da vida, eu me vi como essa tirinha da Akelatriz:
Onde eu tava no Uber abrindo o arquivo do texto a ser "decorado"- coisa que deveria ter feito semana passada - e me colocando aí duas horinhas disponíveis para memorizar as coisas.
Ao chegar em casa, com a respiração aos bafos e a cabeça a mil após uma reunião de produção teatral, percebi claramente que não teria condições de dar carinho e atenção às belas palavras do Samuel, o dramaturgo.
Era um paragrafinho, super simples se eu pegasse as duas horinhas e ficasse igual papagaio repetindo até automatizar. Mas a gente sabe que isso não se faz... precisava de alma.
Minha alma ainda não tinha chegado com essa correria da vida e eu temia que não chegasse a tempo da aula ou que, quando chegasse, fosse tarde demais e eu teria de zarpar em total desconcentração.
Uma coisa que me propus esse semestre foi ser franca comigo mesma. Em cascar fora, mesmo amando, de algo que não fosse me trazer alegria (porra, Marie Kondo). Não tão xiita dessa forma. E não tão egoísta, pois trabalhando em grupo eu não posso simplesmente cascar fora... então busco amar as pessoas com quem trabalho ou trabalhar com quem amo.
Citei aqui num post anterior que amar é fácil, não falo de forma romântica e sim pragmática: amo sim.
Enfim, o adendo sobre que nunca me foi questionado faço questão de explicitar. Porque sim.
Samuel merece atenção.
As atividades, benzadeus, serão amadas.
me sinto bem
matando aula
quarta-feira, 9 de maio de 2018
segunda-feira, 7 de maio de 2018
A INVISIBILIDADE DA MULHER ATEIA
Vim aqui fazer textão sobre
A INVISIBILIDADE DA MULHER ATEIA
Era uma vez uma mulher atéia. Quando ela nasceu os astros se alinharam e disseram: "mina chata, mexe com ela não". Se desalinharam e cada um foi arrumar o que fazer.
Um dia deus disse pra ela: "Filha, vc precisa ter um signo que te guie e te ilumine."
Ela comprou uma bússola e um abajur na Imaginarium.
Um dia deus disse pra ela: "Filha, vc precisa ter um signo que te guie e te ilumine."
Ela comprou uma bússola e um abajur na Imaginarium.
Odin ficou furioso! Enviou a Morte, em forma de gótica, para seduzi-la e enfeitiçá-la. E numa boate qualquer, ao som de Michel Teló, a Morte cobriu a mulher com um manto bem na hora do "assim vc me mata".
Antes de partir a Morte falou: "não vou te matar, vou deixar vc viver, porém, esse manto te deixará invisível. Já que vc rejeita a existência de deuses, a humanidade rejeitará a sua existência também. Só mais uma coisa: cuidado pra não deixar nenhum molho cair no manto porque é da minha vó. Relíquia de família, sabe?"
A mulher vagou pelo mundo coberta por aquela Relíquia da Morte. Quando chegou no fim de uma ruazinha estranha, meio que um beco diagonal, a mulher ateia avistou uma sauna.
Nunca deixavam mulheres entrarem naquele tipo de sauna.
Ela entrou lá invisível e ninguém sabe, até hoje, se ela saiu de lá.
Nunca deixavam mulheres entrarem naquele tipo de sauna.
Ela entrou lá invisível e ninguém sabe, até hoje, se ela saiu de lá.
Só se sabe que ela é libriana e isso explica muita coisa.
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E no próximo capítulo vou problematizar O TÉDIO DA MULHER ZUEIRA.
(texto publicado no facebook em maio de 2016, durante um vácuo numa turnê)
terça-feira, 1 de maio de 2018
Me despedi
Me despedi
Das dúvidas que nunca me tiraste
Da ausência do olhar e da palavra
Da incerteza nos teus atos e presentes
Me despedi
Dói pensar que parto agora
Como sempre ando sendo, a partente
E rascunho calmamente neste bloco
A decisão de não ser indiferente
Me despeço, então assim, das contrassenhas
Nem o hacker do Silício codifica
Se és feliz, ao meu ver, na traquinagem
Me desculpes, entendi que era dica
Eu no alto de minha vocação gaiata
Não logrei fazer parte desse jogo tiririca
Me despedi
Então
Com um pesar
Porque não sabes ou finges não saber
Que palavras e os atos têm um peso
Bacharéis em teatro podem ver
Mas mesmo que não haja um diploma
A análise dos fatos
É um drama de morrer
Me despedi, sabendo ser mentira
Que não levo na bagagem nada mais
Mas despeço o que um dia eu pedi
E te devolvo o que só me tirou paz
Me despedi.
Com dor
Me despedi
Das dúvidas que nunca me tiraste
Da ausência do olhar e da palavra
Da incerteza nos teus atos e presentes
Me despedi
Dói pensar que parto agora
Como sempre ando sendo, a partente
E rascunho calmamente neste bloco
A decisão de não ser indiferente
Me despeço, então assim, das contrassenhas
Nem o hacker do Silício codifica
Se és feliz, ao meu ver, na traquinagem
Me desculpes, entendi que era dica
Eu no alto de minha vocação gaiata
Não logrei fazer parte desse jogo tiririca
Me despedi
Então
Com um pesar
Porque não sabes ou finges não saber
Que palavras e os atos têm um peso
Bacharéis em teatro podem ver
Mas mesmo que não haja um diploma
A análise dos fatos
É um drama de morrer
Me despedi, sabendo ser mentira
Que não levo na bagagem nada mais
Mas despeço o que um dia eu pedi
E te devolvo o que só me tirou paz
Me despedi.
Com dor
Me despedi
domingo, 4 de março de 2018
A Fada
Do quarto eu olho o céu
Algo pisca no parapeito
Penso que deve ser ela
Que sempre vem quando me deito
Algo pisca no parapeito
Penso que deve ser ela
Que sempre vem quando me deito
Vem voando rapidinho
E pousa bem no meu nariz
Na ponta fica dançando
Mas não sei o que ela diz
E pousa bem no meu nariz
Na ponta fica dançando
Mas não sei o que ela diz
De repente voa pra longe
Parece que vai p’ra janela
Talvez cansada resolva
Pousar na flor amarela
Parece que vai p’ra janela
Talvez cansada resolva
Pousar na flor amarela
É num vaso de girassóis
Onde dorme a minha fada
Até minha gatinha Bichana
A observa admirada
Onde dorme a minha fada
Até minha gatinha Bichana
A observa admirada
Bichana sobe à janela
E vê de perto o pisca-pisca
Abre a boca e come a fada
Pois quem não arrisca não petisca
E vê de perto o pisca-pisca
Abre a boca e come a fada
Pois quem não arrisca não petisca
Cora Rufino
(outubro de 2005)
sábado, 24 de fevereiro de 2018
O mínimo, talvez
Depois de dias de sobriedade e dor... ou seja, após arrancar o siso inferior esquerdo, sofrer ainda, mesmo passada uma semana com as dores, não podendo beber ou fumar... eu, sóbria de drogas e inebriada vendo estrelhinhas... arrumo a casa na madrugada.
Descobri que uma tendência que eu já tinha tem nome: minimalismo.
Não sou organizada, caso tenha parecido que eu tenha dito isso. Eu, de vez em quando na vida, descarto. Primeiro o que eu achei que iria usar e não usei. Depois, o que eu “não amo”.
Esse conceito de descartar o que não se ama vi num livro de Marie Kondo e suas dicas de organização da casa. Uma viagem à japonesa. Quem pode amar coisas? E por que não?
É possível descartar pessoas?
Assim falando parece insensível, mas até que não.
“Destralhe” é o termo que aprendi com uma youtuber. É o ato ou o efeito de desentulhar a vida separando as tralhas que aprendemos a nos apegar. As tralhas que aprendemos a amar desnecessariamente. Austrálias.
Só quis rimar.
No minimalismo nos reeducamos para viver com o essencial. É uma forma de ver o mundo. Uma maneira de viver a vida. Parece bobo, mas é amar o que se merece.
Já reparou como passamos a vida buscando ter e ter e ter mais coisas? E sempre nos falta. Sempre.
No minimalismo, não é que nunca nos falte, mas...não se tratar de posses, se trata de amar.
Passei muitos anos sem proferir da minha boca que amasse alguém. Me ensinaram (a TV) que amar era para poucos ou, que amar era sagrado.
Não sou sacra. E em meus estudos em línguas latinas percebi que “amar” era dito como “eu te quero bem” ou, em espanhol “te quiero”.
Amar nada mais é que isso. Coisa simples. Nada demais. Passei a dizer que amo quando vi que era modesto.
E belo, que fique claro, por isso o profiro.
Aí vem as coisas e o minimalismo e o amor. Marie Kondo diz “isso me traz alegria?” ao olhar para um objeto. Se não te traz alguma felicidade desfaça-se dele.
Meu marido ridicularizou:
- Parece coisa tilelê idiota.
- Parece coisa tilelê idiota.
E de repente todo o conceito do essencial, do amar o que se tem, da contracultura ao mundo do capitalismo desenfreado e da organização da casa e da economia e da limpeza e da energia... tudo
Estilhaçou-se.
Lacrimejei.
Eu sou uma dona de casa fútil a seu ver. Que lê revista Hermes™ e pede aparatos plásticos para decoração.
Nada contra (só o minimalismo), mas não sou assim.
Após a sua partida ao bar, para fazer-se presente ao homem que ama, me deixou.
Reflexiva na rede questionei pensando nele:
- Isso me traz alegria?
sábado, 17 de fevereiro de 2018
haikú
Revirando posts antigos do Twitter me deparei com esse haicai (ou haikú, como os hispanohablantes chamam às vezes). Pela data, eu ainda estava no Chile. Achei curioso o tweet em questão porque não fazia ideia de por que eu tinha escrito isso, ou para quê, ou o que porra exatamente dizia.
Sereno? Orvalho? Boca?
Boca de quem?
AAaah....
Aí eu lembrei.
Lembrei como é "orvalho" em espanhol.
Era o nome dela.
Sereno? Orvalho? Boca?
Boca de quem?
AAaah....
Aí eu lembrei.
Lembrei como é "orvalho" em espanhol.
Era o nome dela.
Sereno.
A umidade da tua boca
é o orvalho
matinal
Cora.
sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018
isabeau
Fortaleza nem percebe
A raiz abominada
A raiz abocanhada
Pelas dunas cearenses
Fortaleza é aloucada
Trinta e duas e a estreia
Trinta e duas e a plateia
Não respira de suspense
Fortaleza sem
lavrado
“O barraco
‘disabô’”
E meu verso acabou
E meu verso acabou
E levou as referências
Fortaleza, por
favor
Não engula essa
pequena
Que é gigante,
vale a pena
Tenha a Santa
Paciência
Cora Rufino
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