Hoje foi a primeira aula do curso de quadrinhos. Um curso de extensão da Escola de Belas Artes da Federal.
Poucos alunos e bastante conversa sobre esse universo. Interessante ter gente de várias áreas. Gente do curso de Música, de Moda, Teatro... e que por alguma razão lêem e agora querem fazer quadrinhos.
Por alguma razão.
Nos perguntaram sobre o que líamos, se já tínhamos algo em desenvolvimento, o que queríamos. E daqui a duas semanas até Dezembro, teremos algo apresentável ao público.
Estou empolgada!
segunda-feira, 3 de setembro de 2012
domingo, 19 de agosto de 2012
Nightwalker
Ser notívaga já não tem mais graça.
Agora faço uma oficina de improvisação no sábado de manhã. Mas não consegui dormir cedo, como de costume. E com medo de não saber quando acordaria, passei a noite em claro... e o dia.
Depois ainda houve a mudança de casa, mudei de bairro, mudei de habitação mas não de hábito. Dormi "a las cinco de la tarde" e acordei meia noite. E cá estou, quatro e meia da manhã pensando.
Vou improvisar, então, um verso:
Agora faço uma oficina de improvisação no sábado de manhã. Mas não consegui dormir cedo, como de costume. E com medo de não saber quando acordaria, passei a noite em claro... e o dia.
Depois ainda houve a mudança de casa, mudei de bairro, mudei de habitação mas não de hábito. Dormi "a las cinco de la tarde" e acordei meia noite. E cá estou, quatro e meia da manhã pensando.
Vou improvisar, então, um verso:
Minha boca pede um cigarro
Sou uma nova viciada
Durante a maré de quebranto
Pedia goles de água salgada
Eram lágrimas
Apagando brasas
Eram tragos
No balcão da casa
E de noite
Condessa Drácula
pensando agora
sem mácula
No cinzeiro
que estava o céu
na caladinha
da noite
fumaça
com gosto de mel
Eram lágrimas
Apagando brasas
Eram tragos
No balcão da casa
E de noite
Condessa Drácula
pensando agora
sem mácula
No cinzeiro
que estava o céu
na caladinha
da noite
fumaça
com gosto de mel
terça-feira, 12 de junho de 2012
FIT&FITO
Nesse feriado dois festivais de teatro aconteciam ao mesmo
tempo. O FIT, com espetáculos de rua e palco, e o FITO, com teatro de objetos.
Meu domingo começou às 11 da manhã, com uma peça argentina
(Los hijos se han dormido) uma adaptação d’A Gaivota de Tcheckov.
Se algum desavisado
passasse por ali, acharia estranho aquele espetáculo falado em espanhol da
Argentina, com legendas projetadas acima do palco. Um cenário branco, uma sala
de estar, um gordo que dorme... mas os benditos argentinos são muito bons em
dar texto.
Quando olhei a
plateia ao redor vi pessoas incomodadas. Estava maçante. Mas quando acabou,
todos aplaudiram de pé.
Encontrei os amigos para almoçarmos e seguir viagem à
próxima peça. Dessa vez um momento esperado. Romeu e Julieta é a peça mais
famosa encenada pelo Galpão, que esse ano comemora 30 anos de existência.
Chegamos duas horas antes do espetáculo, na praça, para conseguir um lugar bom. Quando começou, todos se aquietaram.
Se algum desavisado
passasse por ali acharia estranho aquele texto rebuscado e rimado falado
sobre penas de pau, e um calhambeque... mas é o Galpão, e é lindo. Não me canso
de tietar esse povo.
Quando olhei a
plateia ao redor percebo que nunca vi tanta gente para ver uma peça de
teatro. Num Sol de torrar, na fome e na sede... mas era Romeu e Julieta do Galpão. Valia
a pena.
E terminei o dia no FITO (festival de teatro de objetos),
fui a única do grupo que ainda tinha ânimo, então fui só. Já era noite,
consegui ver dois espetáculos e o último deles foi Correntes de Ar, da França.
Um espetáculo adulto, monólogo, e muitas metáforas. Esse é o poder dos objetos:
os símbolos que trazem. E eu acho fantástico. Esse festival me faz lembrar a
Cia. Do Pé Torto, em Roraima pois um dia largamos tudo para ir ver o FITO em
Manaus. Foi a primeira viagem que fizemos juntos e foi muito inspirador. Dois
anos depois estava eu, vendo uma peça da França e lembrando de todos.
Se algum desavisado
passasse por ali acharia muito estranho um senhor numa cama, brincando com
miniaturas. Um ridículo. Mas havia uma trilha, uma iluminação e o "velho" era
bom. Sua cama e seu dossel eram como uma gaiola, mas um mundo de possibilidades
acontecia sobre os lençóis...
Quando olhei a
plateia ao redor vi senhoras ao meu lado, em estado de hipnose, boca aberta
ou sorrindo. Vendo o que o homem faria dali em diante com seus objetos. As
crianças tentavam entender, mas eram os adultos que prendiam a respiração a
cada novo movimento do ator, dava pra ver nos olhos deles o fascínio. Um velho
e seus brinquedos era algo insólito, remetia a uma inocência infantil, mas...
era um adulto (dizendo coisas de adultos). Um adulto como nós, que gostaríamos de ter um tempo para brincar de
miniaturas
A peça não era cômica, mas os adultos riam com absurdo que
acontecia no palco.
Aplaudi em pé. E até agradeci ao homem por aquele momento,
esquecendo que ele não falava a minha língua.
terça-feira, 5 de junho de 2012
Momento "mamãe, faço teatro" e o 13º Cenas Curtas
Nesse último domingo, Alice e eu participamos do Festival de Cenas Curtas, em Belo Horizonte, com a cena "O Último Doce"
Um momento bem significativo que partiu de um desejo de Alice de contar a sua história que hoje se mescla com a minha.
Um processo cheio de insights, inspirações ou desencantos - como todo processo criativo - que está resultando numa cena sensível e autobiográfica de nós duas.
Aqui embaixo anexo a crítica feita por Luciana Romagnoli sobre a cenas apresentada no domingo:
"A [cena] mineira O Último Doce, vai confiar completamente na tensão entre a fala metaforizada de uma atriz e as imagens por ela suscitadas, que aos poucos ganham contornos nos desenhos feitos por outra no chão do palco. Com uma solução cênica extremamente simples, a dupla consegue dar materialidade a um tema metafísico, criando um espaço onírico que se remodela de acordo com os sentidos evocados na fala, e os potencializa. Os desenhos se tornam dramaturgicamente tão importantes quanto as palavras.
Um momento bem significativo que partiu de um desejo de Alice de contar a sua história que hoje se mescla com a minha.
Um processo cheio de insights, inspirações ou desencantos - como todo processo criativo - que está resultando numa cena sensível e autobiográfica de nós duas.
Aqui embaixo anexo a crítica feita por Luciana Romagnoli sobre a cenas apresentada no domingo:
"A [cena] mineira O Último Doce, vai confiar completamente na tensão entre a fala metaforizada de uma atriz e as imagens por ela suscitadas, que aos poucos ganham contornos nos desenhos feitos por outra no chão do palco. Com uma solução cênica extremamente simples, a dupla consegue dar materialidade a um tema metafísico, criando um espaço onírico que se remodela de acordo com os sentidos evocados na fala, e os potencializa. Os desenhos se tornam dramaturgicamente tão importantes quanto as palavras.
O texto escrito por Alice Vieira e Cora Rufino trata da experiência de se tornar adulto por uma dupla reconfiguração de mundo: a percepção de que, em relação à infância, o tempo diminui e o espaço aumenta. Ou seja: se, por um lado, já não há todo o tempo do mundo para a vida, por outro, o horizonte se amplia de modo que já não se pode determinar facilmente seus limites geográficos, e aquele território que antes circunscrevia toda a existência acaba por tornar-se pequeno demais para ela. “Como é que se mata o espaço?”, questiona-se Alice, em uma das centelhas que seu texto provoca.
É a nostalgia de um mundo ainda apreensível e imaculado – “Saudade de um tempo em que ninguém da minha família tinha morrido ainda”, diz também Alice, segurando um relógio-despertador, raro objeto de que a cena se serve. Além dele, apenas um peixe de madeira, a esponja e o líquido transparente com o qual Cora desenha o que se poderia chamar de cenário. A escolha do líquido é crucial: as marcas transparentes deixadas como traço/rastro remetem ao invisível e gradativamente se evaporam, efêmeras, como o tema de que se trata em cena.
A dinâmica entre falas e desenhos ressalta visualmente como o espaço vai se transformando com o passar do tempo e da experiência – e a cumplicidade entre o que é dito e o que se vê guarda momentos de humor também. As duas atrizes funcionam em codependência, como se uma representasse o tempo, e a outra, o espaço. O teatro que fazem é um jogo afetivo ao qual o público adere para ressignificar o mundo."
sábado, 26 de maio de 2012
Rainha do drama (a mulher abandonada)
Simplesmente quando acordei
Você não estava lá
Procurei na minha cozinha,
Varanda, sala de estar...
Levou embora suas coisas
Esvaziou o guarda-roupa
Havia levado os CDs,
Pacotes de Miojo e sopa
Então comecei a beber
Daí, comecei a fumar
Por causa de você que
Abandonou este lar
Veio, me fez de tudo
Partiu sem dizer nada
Eis aqui na sua frente
“A” mulher abandonada
Cora Rufino
***
Para Lorena Gomes, a revelação do violão.
sábado, 12 de maio de 2012
Silfo pra ti
Silfo-Deus: resolvi aparecer! Saudade?
Fada Milly: na verdade não. Eu tava bem sem voc...
Silfo-Deus: Mentira! Rá!
Fada Milly: Eu tô vivendo uma fase boa.
Silfo-Deus: Uau! Que paisagem é essa?
Fada Milly: Diferente, né? É outra cidade!
Silfo-Deus: Nossa! Quando foi isso, que eu perdi?
Fada Milly: Por favor, Silfo, é sério... você poderia...
Silfo-Deus: Ir embora? Poxa, que ingrata!
Fada Milly: É que eu preciso me concentrar.
Silfo-Deus: As pessoas aqui mangam do seu sotaque?
Fada Milly: Por favor, Silfo!
Silfo-Deus: Ai, conta! (com brilho nos olhos)
Fada Milly: Hum... eles dizem que as vezes eu chio o “s”.
Silfo-Deus: Só? E o “pra ti” em vez de “p’ocê”? “De ti” ou “d’ocê”? “Contigo” ou “c’ocê”?
Fada Milly: Não faço mais isso.
Silfo-Deus:Mas pelo menos eu ainda estou em ti?
Fada Milly: N’ocê...
Silfo-Deus: Mentira! Rá!
Fada Milly: Eu tô vivendo uma fase boa.
Silfo-Deus: Uau! Que paisagem é essa?
Fada Milly: Diferente, né? É outra cidade!
Silfo-Deus: Nossa! Quando foi isso, que eu perdi?
Fada Milly: Por favor, Silfo, é sério... você poderia...
Silfo-Deus: Ir embora? Poxa, que ingrata!
Fada Milly: É que eu preciso me concentrar.
Silfo-Deus: As pessoas aqui mangam do seu sotaque?
Fada Milly: Por favor, Silfo!
Silfo-Deus: Ai, conta! (com brilho nos olhos)
Fada Milly: Hum... eles dizem que as vezes eu chio o “s”.
Silfo-Deus: Só? E o “pra ti” em vez de “p’ocê”? “De ti” ou “d’ocê”? “Contigo” ou “c’ocê”?
Fada Milly: Não faço mais isso.
Silfo-Deus:Mas pelo menos eu ainda estou em ti?
Fada Milly: N’ocê...
sábado, 10 de março de 2012
Moebius
Morreu hoje aos 73 anos o desenhista Moebius.
Quando eu era criança meu pai me mostrou duas HQ's desenhadas por esse artista.
Lembro do traço e das histórias da Garagem Hermética e Príncipe de Aliors.
Murilo colecionou Incal, de Moebius e Jodorowsky.
A ficção científica sempre foi uma paixão. Mas os universos de Moebius eram muito mais excitantes: Um futuro parecendo passado ou um passado futurista?
Steampunk?
O futuro do pretérito?
Não sei denominar, só observando mesmo.
Então deixo aqui um episódio de Arzak Rhapsody, dublado em espanhol.
Quando eu era criança meu pai me mostrou duas HQ's desenhadas por esse artista.
Lembro do traço e das histórias da Garagem Hermética e Príncipe de Aliors.
Murilo colecionou Incal, de Moebius e Jodorowsky.
A ficção científica sempre foi uma paixão. Mas os universos de Moebius eram muito mais excitantes: Um futuro parecendo passado ou um passado futurista?
Steampunk?
O futuro do pretérito?
Não sei denominar, só observando mesmo.
Então deixo aqui um episódio de Arzak Rhapsody, dublado em espanhol.
Descanse em paz, Jean Giraud...
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