quarta-feira, 4 de março de 2015

comprar cigarro

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O aborto masculino se dá da seguinte forma: o homem se arruma, põe a melhor calça, pega o dinheiro que tem guardado e avisa:
-       vou ali comprar cigarro!
E nunca mais volta pra casa.

Houve um tempo em que o aborto masculino era proibido. Primeiro a namorada (ou esposa, ou amante, ou affair) chegava anunciando que estava grávida. A partir desse momento a vida do homem entrava em colapso.
-       Mas e meus planos? – ele dizia – com que dinheiro vamos criar? – se questionava – Mas... mas...
-       “Mas” uma ova! – vinha o juiz lá na janela – Deveria ter pensado nisso antes de fecundá-la!
-       A culpa é toda sua! Se tivesse segurado esse pinto dentro da calça não tinha esse problema – dizia a própria mãe do moço.
-       Mas não há como voltar no tempo! O acidente já aconteceu! - o homem dizia
-       Sinto muito - falava o patrão – mas ficar pagando salário pra você tirar Licença Paternidade sem produzir está fora de cogitação. É mais fácil lhe demitir.
-       Meu filho – dizia o padre – e olha que vc nem é casado.

Diante de tanto julgamento, o homem se desesperava e bradava:
-       Vou ali na esquina comprar um cigarro!
-       NÃO!! – gritaram todos da sociedade – você NÃO vai fugir da sua responsabilidade!
E acorrentaram o homem ao pé do berço. E olha que o feto nem estava desenvolvido ainda. Mesmo assim o acorrentaram e se foram. Deixando o homem pra trás.
De repente, apareceu alguém:
-       Psiu! – chamou o homem de branco na janela – eu posso quebrar a sua corrente. Quer?
-       Quero! Nem sei quem é você! Mas se me ajudar serei eternamente grato.
-       Ajudar? Bem... na verdade minha “ajuda” custa em torno de 4 mil reais. Tá a fim?
-       4 mil? Bem... eu tenho! Tava guardando para uma coisa importante mas... com essa corrente tá impossível fazer qualquer coisa... ok, pega aqui o dinheiro.
Então o homem de branco pegou um serrote e começou a serrar o metal. Porém, por descuido, acabou serrando o pé do homem junto.
-       Aaaai! O que você fez? Cortou meu pé fora!!
-       Não reclame! Pelo menos você está livre! Pode ir comprar o seu cigarro!
E o homem livre saiu da casa. Mas como estava sem um pé, teve que ir mancando até a tabacaria. Porém o sangramento não parava e a cada pulinho de um pé só, saía mais e mais sangue. Até que o homem morreu, tentando atravessar a rua.

O homem de branco se foi, com dinheiro no bolso e atrás de novas correntes pra serrar.

Foram tantas mortes, tantos homens mutilados e tantos homens de branco enriquecendo às custas do desespero alheio que resolveram dar um fim nisso.
Aboliram com as correntes. Deram aos homens a liberdade de irem comprar os seus cigarros e, de lá, seguirem com suas vidas. De maneira segura, sem julgamentos.


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