segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

O semestre de durou anos - parte 1

Mesmo tendo começado o ano de 2017 ainda não acabou o semestre de 2016.2.
Foi um dos semestres mais longos dos últimos tempos.
Estou falando do volume de informações que tive que lidar. Tudo em um semestre mas que, graciosamente, estou terminando ele mais serena do que quando o comecei. Eu quis usar aqui a palavra “graciosamente” porque “gracioso” em espanhol é “engraçado” e em português é “terno”. Não o terno de vestir, mas o de ternura. E engraçado que “engrasado” em espanhol significa gorduroso. Isso é o que chamamos de falsos cognatos. Cabe explicar também que se você veste um terno deve tomar bastante cuidado para que não caia gordura nele. Pois gordura é “grasa” e graça é “ternura”.

(nesse momento imaginei minha orientadora destacando a palavra “pois” de vermelho e dizendo que “pois” não faz sentido naquela sentença pois “pois” é uma conjunção conclusiva e deveria estar explicando a oração anterior. Ela é chilena a minha orientadora e diz que eu tenho que melhorar meu português. Eu acho terno. Porém ela tá correta)

(Imaginei ela destacando os dois “pois” que coloquei repetidos ali em cima e dizendo para eu “revisar a grafia de ‘pois’”)

(Nota: Revisar a grafia depois)

Mas como eu dizia, já no começo de 2016.2, o semestre que durou anos, eu iniciei com um tal dum Desafio dos 30 dias de Saúde. Foi legal. Um mês sem beber, comer fritura e fazendo pelo menos meia hora de exercícios físicos todos os dias. Ganhava um prêmio quem emagrecesse. Ganhei uma camiseta por ter emagrecido 3kg. Que bom, mas meu objetivo geral não era esse (esse era o objetivo específico), eu estava num processo de mudanças: mudanças de rotinas, de filosofias, de crenças. Como no início do ano de 2016 a psicóloga (Ah, sim, tem um ano que faço terapia, no próximo post explico melhor) falou que eu tinha uma depressão moderada eu comecei a rir. Não, na verdade eu sorri. Falei “sério?” e ela disse “Sim” e eu disse “sério?” pela segunda vez e parece que era sério mesmo. Nesse dia ela perguntou se eu tava me achando feia ou algo assim, porém justo naquele dia eu tinha colocado um vestido decotado, tava me achando bonita e respondi “não”. Saí do consultório rindo e assim rindo eu caminhei aqueles 20 minutos até minha casa. Quando chegou a noite eu ainda tava rindo e o Murilo perguntou o porquê de eu estar rindo eu respondi “eu tenho depressão”. Expliquei que não sabia porque estava rindo e ele disse “deve ser porque finalmente agora você tem um nome para isso que te intrigava”.

Bem, mas isso aconteceu no primeiro semestre, estou aqui para falar do segundo. Ocorre que no segundo semestre de 2016, aquele semestre que durou anos, emagreci 3kg em um mês e descobri que para cumprir certas coisas tem que sofrer. Sofrer porém fazer mesmo assim. O desafio dos 30 dias nada mais era que uma preparação para a escrita do meu artigo de TCC.
Peço que jamais o leiam, antes ou depois da minha morte, pois escrevi o artigo como quem escreve num blog. Tentei ser formal, acadêmica, pesquisadora, cientista, teórica... mas foi o semestre que mais tuitei, por exemplo e me expus na internet.
Naiara, a psicóloga, disse que eu anotasse num papel as coisas que sentia. Talvez escrever sobre meus feelings fosse ajudar em algo. Em frases curtas, ela disse. Daí pensei “vou tuitar, então”. Não sei se deu certo ou errado. Mas teve algo de terapêutico em soltar pílulas de impressões assim, na nuvem, pra que se misturassem naquela cachoeira de frases curtas que é a timeline do Twitter.
Foi no Twitter que nesse semestre saí do armário enquanto bissexual, não-monogâmica e ridícula. E pra minha surpresa ninguém ligou para o fato de ser bi (até antes de 2016.2 eu não havia saído do armário publicamente), um par de amigos curtiu o fato de eu me assumir ridícula (uma disse até que já sabia) e parece que ser não-monogâmica foi o que realmente causou um leve frisson, com direito a meu namorado recebendo mensagem da minha cunhada perguntando que história era essa.
Enfim, assunções de 2016.2. Às vezes é libertador se expor. Porque... é o que sou. Ridícula, não-monogâmica, bissexual e com depressão moderada.
Traçar um olhar sobre isso tudo e “curtir” isso que sou publicamente é algo que estou experimentando.
Ah, e comprei um Kindle. Já li 40% de “Cem anos de solidão”. Era parte de uma tarefa terapêutica onde eu deveria espairecer e abstrair do meu TCC e suspender a realidade sem drogas e tal.
Até a próxima.





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