terça-feira, 27 de setembro de 2011

aos malucos (e suas sandices)

Há mais ou menos um ano
Era Setembro.
E os Setembros sempre nos revelam algo (ou nos escondem).
E lá estava eu na minha vida roraimense, num final de semana qualquer, e me disseram:
- Ó, me deparei com essa informação: "inscrições abertas para o vestibular de artes cênicas"
- Ah... é? Hum... quem sabe um dia eu resolva tomar coragem... Tá quanto a inscrição?
- Noventa.
- Vixe, esquece! Além do mais é muito longe. Se eu tivesse pelo menos um conhecido lá. Deixa eu terminar minha faculdade de Arquitetura primeiro e aí quem sabe...enfim.
Um Setembro depois e cá estou eu, na cidade longínqua com os desconhecidos.

Meu pai ontem me falou que faltou à prova do concurso público. Disse que não queria ser professor e nem queria se isolar no interior.  Iria se dedicar à arte: pintar quadros e escrever poesias.
Eu, que sempre faltei às provas de concursos públicos, que pegava o dinheiro da inscrição - que minha mãe me dava - para comer sushi, me espantei. Pensei: "Que maluquice! Trocar a estabilidade financeira para correr atrás de algo tão incerto..." Mas minha tristeza não estava no ato dele, mas no meu ato ao pensar a exclamação "que maluquice".
Me lembrei de todo aquele "futuro brilhante pela frente" e tudo mais que eu larguei. E pensei ontem: "será que eu servi de inspiração para essa sandice?"

"Sandice"?

Não, não é sandice não. Eu o apoio, claro que apoio. Sei como é ruim fazer coisas que não se gosta, abandonar de hora em hora nossas fantasias. Ir todo dia para um trabalho ou um curso que você sente que não lhe acrescenta em nada. E você se sente idiota. Um vazio.
Mas, quando ele disse que gostava da minha independência, tive que falar:
- Minha independência só é possível por causa dos precatórios da mamãe. O dinheiro que eu tinha guardado só durou até Maio. Tempo suficiente para convencer ela e minha tia a me ajudarem.
E revelei minha preferência pela licenciatura agora.
- Vida de professor é uma vida árdua. - ele disse.
Eu queria mesmo era ser bacharel. Entrei aqui pensando nisso. Mas observando melhor... quer vida mais árdua que a de artista? E olhando meus colegas veteranos, que optaram por licenciatura e estão em cartaz com espetáculos, penso que uma coisa não exclui a outra, mas complementa.
Felicidade versus Dinheiro era algo mais claro antes. Hoje nem tanto. Mudei minha habilitação morrendo de medo de estar errando pela terceira vez. Pensei no dinheiro.

Sobre o isolamento: metade da minha sala veio do interior do Estado. Qualquer final de semana é motivo para viajar e rever a família. Não se está tão isolado assim...
Hoje em dia não existe isso.

Não penso mais sobre "maluquices" ou "sandices". Só quero que ele seja feliz... acho.
É Setembro ainda. É um mês de acontecimentos.
Só sei que eu vou querer um exemplar do seu livro de sonetos, Eli.
Continue!

3 comentários:

Unknown disse...

Isso aí Cora! Coragem. Mudar é difícil, ainda mais com um futuro incerto. Não esquente tanto com o resultado, mas com o caminho pra chegar lá. Dinheiro é conseqüencia, não meta.
Sou pobre, sem saber para onde vou... mas vou!

Maria Mortinha disse...

alimentando minhas dúvidas, Cora?(rsrsrs)
É isso aí, vocês é que estão certos. bjo

Monique Oliveira disse...

para quê tantos planos na vida... se repente... alguém chega e muda todos os seus planos?.... se derepente vem um filho?... quanto ao futuro?... essa é a graça... a gente nunca saberá. bjs Corita ;)