sexta-feira, 2 de outubro de 2009

O lado bom da eremitagem.

Até que tive uma infância meio solitária.
Não achei ruim não, pelo contrário.
Fui filha única boa parte da vida (até os 18 anos). Sempre morei com minha mãe, que sempre trabalhou fora. Nunca morei com meu pai, e nunca entendi direito no que ele trabalhava, só sei que a gente tinha o costume de gastar muito dinheiro na banca com gibis.

Sempre fui e voltei da escola sozinha. Na primeira série, aos sete anos, esqueceram de me buscar na escola, daí eu voltei para casa a pé. Foi quando descobriram o que eu era capaz de fazer e nunca mais foram me buscar na escola.
Então, quando voltava de lá, tinha a casa inteira para mim.
Para mim e minha imaginação.
Fui criada pela TV, pelos quadrinhos, pelas minhas historinhas (que eu escrevia ou desenhava), enfim, pelas minhas idéias.


Mas não foi bem assim que eu comeccei a desenhar, por exemplo.
Eu aprendi a desenhar nas beiradas das folhas dos cadernos, durante as aulas. Mais especificamente na aula de história da professora Gerusa, na 5ª série. E ela achava lindo no começo.
O problema é que eu nunca prestei atenção às aulas dela. E o os desenhinhos que eram feitos nas bordinhas do caderno, tomaram lugar na página inteira, onde era para eu estar copiando as tarefas.
Fui mandada à diretoria pela mesma mulher que outrora havia elogiado meus traços (finalmente consegui usar a palavra outrora).

Lá na diretoria encontrei outros delinqüentes como eu. Estavam lá por vários motivos, como brigar em sala ou falar palavrão. A inspetora Lúcia disse que quando viu o meu caderno ficou pasma (foi a primeira vez que ouvi aquela palavra e ela ficou na minha cabeça até a hora de eu chegar em casa e procurá-la no dicionário).

Tia Gerusa disse na sala, depois, que se eu continuasse daquele jeito seria uma vagal. Fiquei surpresa mas não achei nada demais. Porém Cícero, o repetente, me defendeu na frente de todo mundo.
Eu sempre fui amiga dos repetentes, dos galerosos e dos baderneiros. Naquele dia vi que andar com más companhias tinha lá suas vantagens.

Isso tudo aconteceu quando eu tinha 11 anos. E foi aos 13 que eu decidi parar de desenhar, pois isso me trazia mais apuros do que felicidade.


Estatística: Aproximadamente 95% dos meus desenhos foram feitos em folhas de caderno. Simplesmente não presto atenção às aulas até hoje.
Viu, tia Gerusa? Não era nada pessoal



6 comentários:

Fêh disse...

rs..a Gerusa tb já me espulsou da sala..no primeiro dia de aula da 5ª série..o motivo? eu estava rindo.. ¬¬
desde então, eu fazia frequentes visitas a sala da Lenir..rs.

Brescia Magalhães. disse...

as vezes da vontade de ser professora só pra fazer tudo diferente...

eu, que nunca soube desenhar uma casinha ou um bonequinho decente pra brincar de forca!, eu, que passei na recuperação de educação artística (!!!) com um desenho malacabado de uma teia de aranha que um colega me adiantou... tenho uma inveja lascada de vc!!! e como se não bastasse, ainda manda médicos sentar...

ah, essa menina!!!
rsrs minha ídala!!!! :P

zefinha da paz disse...

Gerusa sempre foi muito ordinária. Mas nós somos mais, muito mais, muito mais...somos ordinárias demais. E por isso luto por uma vida menos ordinária. Seus desenhos são extraordinários.

Gabriely disse...

adorei! "outros delinqüentes como eu" hahahahahaha sua vandala!
saudades de vc, ja tentei te ligar sem sucesso essa semana =T
=* xeru

lorena disse...

sera que desenha essa menina?..
auehauheu

Paulo Herinque disse...

Que massa, não é por que a Cora é minha amiga não, mas esse é o meu blog favorito dentre todos os que bisbilhoto.